TV Globo, ‘Amor à vida’ e o aborto

29/05/2013 § 63 Comentários

Confesso que fiquei revoltado durante o capítulo de hoje da novela das 21h da TV Globo, Amor à vida. Diferente das duas anteriores, essa não me pegou, mas eu estava trabalhando diante da TV e acabei vendo. Para quem não sabe, na trama o Antonio Fagundes é médico, rico e dono de um hospital. Em uma cena, ele conversa com uma paciente – uma mulher grávida que quer abortar.

aborto(Foto: Bill Davenport/Stock.XCHNG)

Deveria ser muito simples: uma mulher que quer abortar deveria poder abortar. Ela é a única pessoa com qualquer direito de tomar a decisão de tirar esse feto da barriga, seja pela razão que for – nem a sociedade retrógrada, nem o Estado, muito menos a Igreja deveriam ter esse direito. E muito menos um médico, claro. Os médicos, na realidade, deveriam ser os agentes da execução desse direito – de forma segura e asséptica. Para evitar um açougueiro.

Vamos à novela, então. E à minha revolta. Em vez de ensinar anticoncepção, de falar sobre camisinha ou pílula (a escolha da palavra “precaução” me incomodou), de colocar o tema em debate, de educar a população que assiste à atração maior do horário nobre, a trama dá os seguintes recados (o diálogo está lá embaixo):

1. aborto é coisa do mal, do demônio, anti-Deus, 2. mulher não tem direito de decidir sobre o próprio corpo, 3. (o argumento religioso patético) células são “uma vida”, 4. quem quer abortar é irresponsável e inconsequente, 5. é melhor mandar uma mulher para um açougueiro a fazer o aborto e 6. um filho (indesejado) pode salvar um relacionamento!

Felizmente há médicos responsáveis que, ainda que ilegalmente, cuidam de pacientes e realizam o aborto. Esses salvam vidas. Isso é “amor à vida”…

Fiquei tão revoltado e indignado com o que via que acabei desabafando no Twitter, durante a novela. Se você concorda comigo e quer retuitar alguma das mensagens (abaixo), basta clicar sobre as imagens. (Se discorda, debata!)

aborto1

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Alguém me sugeriu desligar a TV, mudar de canal. Eu poderia fazer isso. Você poderia fazer isso. E aí? Milhões de pessoas continuariam vendo e continuariam a receber esses recados, essas mensagens. Milhares de mulheres que podem engravidar amanhã poderão decidir por manter um filho indesejado (um monte de células se reproduzindo, até a 12ª semana) porque ouviram um discurso retrógrado no horário nobre. É isso que me preocupa.

Converse sobre o assunto no Facebook.

Esse foi o diálogo entre o médico (e galã) vivido por Antonio Fagundes e a paciente, uma pobre coitada qualquer (assista ao vídeo no final).

(Médico com cara indignada) Como assim, você não quer ter esse filho?
– Eu já tenho dois filhos, doutor. Eu nunca casei. O meu ex-companheiro sumiu, eu nem sei onde ele anda. E o pai dessa criança aqui é um namorado, não é nada sério.
– Mas vocês dois são adultos, conscientes. Por que não tomaram precauções?
– Ah, pintou um clima e… rolou. Eu esqueci de tomar pílula, ele tava sem camisinha.
– E essa criança que você esperando é que vai pagar por isso?
– Mas eu de pouco tempo!
– Não importa, é uma vida. Eu sei, muita gente acha que interromper uma gravidez é uma coisa simples, basta não querer a criança. Mas eu… eu fiz um voto quando eu tirei o meu diploma de medicina. A minha missão é salvar vidas.
– Olha a minha situação, doutor.
– Uma situação que você mesma criou. Você arrumou um namorado, não tomou precauções e agora você quer se livrar dessa criança? É uma vida que aí dentro. Eu sei que muita gente acha que Deus não existe, duvidam da existência de Deus. Mas pra mim um bebê é a prova mais concreta de que Deus existe. Eu não sei por que você me procurou, eu não entendo, eu sou contra o que você quer fazer.
– Então, se o senhor não pode me ajudar, eu vou indo… (se levanta)
– Eu sei exatamente o que você vai fazer. Você vai procurar uma pessoa sem escrúpulos que te ajude a tirar essa criança… Você sabe que aborto mal feito é a terceira causa de morte materna no país? Você tá correndo o risco de perder a sua vida.
(Mulher senta e chora, culpada) Desculpa.
– Você contou para o seu namorado?
(Mulher faz que não com a cabeça) Não, senhor.
– Você não acha que ele tem o direito de saber que você grávida?
(Mulher com cara de desalento, em silêncio)
– Fale com ele. Quem sabe o seu relacionamento com ele possa ficar mais sólido? (Médico sorri) Você gerando uma vida. (Sorri novamente) Lute por ela.
(Mulher sorri, meio de lado, contrariada) Tá. (Cena acaba)

Converse sobre o assunto no Facebook.

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§ 63 Respostas para TV Globo, ‘Amor à vida’ e o aborto

  • rogercrocha disse:

    É até provável que a reação que este episódio causou em você foi exatamente o que os roteiristas queriam. O médico poderia até ter atendido o desejo da paciente, aí o escândalo seria outro. De qualquer maneira, o efeito é o mesmo: criar um gancho que prende o telespectador, rendendo assunto para VideoShow, Domingão do Faustão, Fantástico (esse “show da vida”) e mais uma centena de episódios frívolos. No melhor dos casos, pode fomentar debate de um tema controverso. Mas é só. A Globo não vive sem audiência e sem os anunciantes. É um veículo pobre e só porque novela pode ser chamada de “teledramaturgia” não quer dizer que tem a obrigação de ter qualidade ou transmitir qualquer tipo de mensagem da forma como eu, você ou qualquer um queira. Por isto insisto na sugestão: mude de canal ou desligue a sua TV.

    • João Carlos disse:

      A NOVELA É UM ENTRETENIMENTO QUE DEVERIA SER EXTINTO DA TELEVISÃO BRASILEIRA, JUNTO COM A MERDA DA REDE GLOBO. NÃO ACRESCENTA NADA, SÓ ATRAPALHA A VIDA DOS CIDADÃOS.

  • Luana disse:

    Gabriel, você descreve exatamente como eu me senti ontem. Imbecilizada e impotente diante de argumentos chulos e sem qualquer consistência. Assisti uma apologia e demonização ao aborto de forma desonesta e irresponsável. Não tenho TV há uns tres anos e quando percebo que esses discursos ridículos continuam se fortalecendo, simplesmente me falta gana de assistir esses progrmas. Ontem foi um exemplo disso. Mas espero que algumas pessoas continuem conseguindo assistir e contra-argumentar. Na realidade me falta paciência para tamanha ignorância sobre esse tema.

  • Muito bom seu texto, Gabriel. Também fiquei indignada e twittando a minha indignação…acho que vi um dos seus twittes retuitado por uma amiga em comum. Bem bacana. Um abraço. Suely

  • aNTONIA lOMBA disse:

    É POR ISSO QUE O MUNDO ESTÁ DESSE JEITO,A VIDA VIROU UMA BANALIDADE,REVEJA SEUS CONCEITOS

    • Gabriel Toueg disse:

      De que “vida” exatamente estamos falando? De um conjunto de células no ventre de uma mulher que não quer (e certamente não pode) ter (mais) um filho? Se é disso, não se trata de uma “vida”. É por pensamentos retrógrados assim que existe tanta gente passando fome nesse país – a Igreja condena a camisinha, fecha os olhos para os problemas reais e ensina que aborto é crime. Crime, para mim, é ter um filho sem ter condições de criar (e, é claro, isso deve ser prevenido desde o começo, não apenas na hora do bucho – mas a mulher precisa ter o direito de tirar. E só ela).

      • Paula disse:

        Complicado quando o ser humano que já nasceu fala que aborto não é nada demais. É muito dificil se colocar na pele do outro, ver o que leva uma pessoa a fazer um aborto, nós só pensamos pelo nosso ponto de vista. Eu concordo que a tv deveria ensinar a prevenir, mas seria muito fácil se na vida todos os atos falhos pudessem ser “abortados”. Ah, atirei num cara, mas agora volta a fita que eu me arrependi…” a vida não funciona assim. Toda causa tem uma consequência. Um monte de células formaram eu e você, e seus pais que graças ao bom Deus decidiram te ter, assim como os meus me deram a chance de ser alguém, um monte de células, órgãos, ossos, e espírito acima de tudo isso. Cada caso é um caso, mas no geral sou sim contra o aborto, porque não é a mulher dona de seu corpo. Nosso corpo não é nosso, é só um empréstimo. Me foi dado um corpo perfeito e eu cuido dele porque é o que me possibilita trabalhar, estudar, viver. Um dia ele não será meu, mas me ajudou a seguir na marcha para a minha evolução, e por escolha de meus pais de me terem estou aqui hoje escrevendo para você. Esse monte de células pode trazer consigo a mudança, um ser humano capaz de descobrir a cura para doenças, de fazer o bem, de fazer a diferença nesse mundo. É bom pensar nisso, o egoísmo imediatista afeta não somente à mãe, mas pode afetar toda a humanidade. Basta pensar, e se a mãe de Ghandi decidisse não o tê-lo? E a mãe de Martin Luther King? Albert Einstein, Charles Darwin. Células que fizeram a diferença em nossas vidas.

      • Gabriel Toueg disse:

        Paula, agradeço seu comentário, mas misturar religião não acrescenta nada ao debate. Concepção, desejada ou não, não pode ser comparada a um crime (percebe que você mesma se contraria? – tirar “uma vida” é errado e fazer “uma vida” é um crime). Não é questão de arrependimento. É questão de opção. Aborto não é medida contraceptiva, mas a opção precisa existir legalmente (até porque se feito por um médico legalmente pode ser seguro).

        Já entendi que sua argumentação se baseia na religião, então quero aproveitar para te perguntar (de verdade, por curiosidade, mesmo): o que é que define “vida”? Em que ponto passa a ser uma “vida”? “Vida” é algo com corpo? Com espírito? Com… vida? Que respira?

        Finalmente, para responder ao seu último argumento, já pensou se a mãe de Adolf Hitler tivesse decidido abortar? Ou a mãe de Mao (que matou 77 milhões de compatriotas), Pol Pot (que assassinou um terço da população do Camboja), Stalin (43 milhões), Kadafi (que escolhia meninas para seu harém pessoal), Bashar al-Assad (que está promovendo uma guerra civil contra seu povo), Gengis Kahn (que massacrou 4 milhões), Gal Ulstra, Champinha (que estuprou uma menina na frente do namorado e matou os dois e até hoje não sente remorso), do Feliciano?!

      • Gabriel Toueg disse:

        Complemento com algo que achei meio por acaso (aqui, os grifos e links são meus):

        “Acho que este número dedicado ao aborto será um marco para trazer o debate ao campo da ciência. O aborto não pode ser discutido em termos religiosos. A religião é matéria de ética privada, as pessoas acreditam ou não”, defende a coordenadora da pesquisa*, a antropóloga Débora Diniz, professora do Departamento de Serviço Social da UnB. “Se uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez um aborto, muita gente do seu entorno soube. A verdade inconveniente é que o aborto faz parte da vida cotidiana no Brasil, mas ninguém quer falar a respeito, prefere ignorar. É um silêncio inacreditável”.

        * A pesquisa traça um retrato completo de como são feitos os abortos no Brasil. A Pesquisa Nacional do Aborto, produzida por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília, trouxe a público, em 2010, a informação de que uma em cada cinco brasileiras de até 40 anos já fez ao menos um aborto.

      • aNTONIA lOMBA disse:

        amei seu comentário

  • Cristina disse:

    É o ponto de vista de um personagem. É uma obra de ficção. Assim como o ponto de vista do vilão é a de jogar um bebé numa caçamba. E mesmo que não seja o ponto de vista da personagem, talvez seja a visão do autor, da emissora e aí, todos tem o direito de falar o que pensam. Se atinge 100 ou milhões de pessoas, moramos em um país livre, cada um luta pelo que quiser.

    • Gabriel Toueg disse:

      O problema, Cristina, é o uso de argumentos religiosos para enfiar essa teoria goela abaixo pela televisão. Não é o argumento de um personagem qualquer, mas o argumento de um personagem bondoso, paternalista, bom moço, doutor, respeitado, bom pai… O sujeito que joga um bebê numa caçamba é um vilão, e a história cuida de deixar isso bem claro.

  • e mais uma vez a ‘culpa’ é da mulher: que não tomou pílula, que transou sem camisinha, que ‘criou essa situação’
    :/

  • Jean Olivieira disse:

    Na boa, eu acho que o maior equivocado nessa historia é você. Primeiro : nada e nem ninguém tem o dever de ser “a favor” do aborto. O autor da novela, o roteirista do filme ou o autor de teatro pode expressar o que quiser e bem entender. Segundo que não achei esse dialogo de todo errado. Quem engravida sem querer ter o filho a essa altura do campeonato é irresponsável SIM. E terceiro não consigo fazer nenhuma ligação com a decisão de uma mulher de abortar um “amontoado de células que virarão alguém” e, posteriormente, em outro momento da vida, essa mesma pessoa decide levar adiante uma gravidez e ter outro tipo de pensamento sobre esse mesmo “amontoado de células”, que agora, devido as circunstâncias, são “o filho ou filha que vai nascer. Não sou contra a legalização do aborto, aborta quem quer, mas que é uma merda e que quem faz é, no mínimo, um irresponsável, isso é verdade!

    • Gabriel Toueg disse:

      Eu discordo de você, meu caro. É claro que existe irresponsabilidade em engravidar de forma indesejada (embora a Igreja não faça qualquer esforço para educar as pessoas no sentido contrário) mas a mulher precisa ter o direito (pela razão que for) de escolher se quer manter o feto ou não. A mulher e só. Quando um personagem bonzinho de uma novela de grande audiência dá sermão em uma mulher desesperada, que entende (quantas não entendem!?) que não pode ter um filho, e usando argumentos religiosos (“Deus existe”, bla), desinforma, deseduca, distrai. Está mais que claro que a escolha do personagem para fazer esse discurso atende a pressões religiosas. Pense comigo: não seria totalmente diferente se o vilão da trama fizesse o que o Fagundes fez?

      Mas numa coisa eu concordo contigo: ninguém, mesmo, tem o dever de ser favorável ao aborto. A minha discussão passa longe disso (embora, está claro, minha opinião é favorável não ao aborto, mas ao direito pessoal de escolha pelo aborto sem interferência do Estado ou da Igreja). Obrigado por comentar.

    • dani disse:

      vale lembrar que os métodos anticoncepcionais não são 100% eficazes…

  • Cristiano disse:

    Há um erro nas suas premissas quando você diz que a mulher deve ter direito de decidir o que fazer com o corpo dela. Não é apenas o corpo dela. Já há uma vida dentro dela. E isso é provado pela ciência, Os fetos reagem a estimulos. Eles se mexem. Se acalmam com a voz da mãe. Não sei se vocÊ já viu um aborto. Eu não vi mas quem viu ao vivo já me descreveu. O feto sai se mexendo. É uma cena horrível. Você vê que é um ser humano sendo assassinado. Portanto a mulher não está decidindo sobre a vida dela. E sim sobre a vida do filho dela. Ela está assassinando um filho

  • Olha ,eu sou contra o aborto ,a não ser nos casos que ja são legalizado hj em dia ,em caso de estupro, quando a vida da mãe corre risco e quando a criança ja nasce sem condições de vida se não me engano,me corrijam, penso que do jeito que o medico não tem direito sobre uma ato totalmente natural como o parto, o ser humano tem alguns fronteiras que ele não pode ultrapassar com relação ao proprio corpo e a vida de outro,como a pena de morte ,não estou igualando, pq e impossivel uma comparação ja que a vida q esta sendo tirado esta em contexto totalmente diferente,mas cito isso como outra fronteira que tb o ser humano nunca ,penso eu,deve ultrapassar, agora não sou contra a legalização,se a pessoa quer fazer faz, mais tb não acho que o estado deva interferir se um medico de uma rede publica não quer fazer por convicções proprias,o mesmo direito a respeito do aborto que a mulher teria por exemplo de tirar penso que deveria ser dado ao medico de não tirar.
    Agora quanto a novela não entendi pq a indiganação,se uma obra não for polifonica, não tentar mostrar todos ou varios lados,os reacionarios , os liberais,os coluna do meio tb não seria respeitoso com a propria dimensão do assunto .

  • edimar disse:

    ainda tem uns indiotas que,quando vc fala contra a globo…eles falta engolir a gente vivo…..algumas noveleiras por ex:.que não conceguem tirar o olho da tv,,,por um instante p analisar oque estão vendo..!.

  • Natália disse:

    A minha única esperança dessa cena tão lamentável é que tenha sido intencional mesmo. Pelo que a novela indica, o Antônio Fagundes terá um caso com a secretária. E se a intenção do autor seja que a secretária engravide e ele reveja a questão do aborto??

    Situação bem típica da realidade. Muitas pessoas são “contra” o aborto, mas apóiam/fazem um aborto, porque aquilo foi uma exceção na vida delas. Contudo, se são as OUTRAS pessoas, não pode, né?! Afinal, o outro quem é promíscuo, foi contra as leis de Deus e blá, blá, blá.

    Tomara que essa trama tome um rumo parecido com esse. A discussão da descriminalização do aborto é cara de mais para NÓS MULHERES para que seja tratada de maneira tão rasa.

  • rogercrocha disse:

    Gostaria de complementar meu ponto de vista, uma vez que percebo que há outras pessoas que compartilham do meu ponto de vista.

    Acho que sua maneira de enxergar o poder de formação de opinião que a novela tem na população está exagerada. Na minha opinião, o que se retira de um trabalho como este (ou como um livro ou filme ou música ou videogame) é o que se leva a ele. Uma coisa é eu cortar o meu cabelo ou comprar uma bolsa por causa de algo que eu assisti num filme ou na TV. Outra coisa é achar que estes meios de comunicação moldam tão fortemente a personalidade ou faça as pessoas mudarem totalmente de opinião. O conflito emocional é uma das bases da natureza humana. E assuntos como pena de morte, aborto, crime, traição, desilusão, raiva, violência, amor, sempre estarão presentes em qualquer forma de expressão. Como mencionei, acho totalmente válido o debate e o tema. Não quero nem expor a minha opinião pessoal sobre o assunto, pois não acho que é relevante. Minha intenção é apenas expor que não importa a forma como o tema é apresentado, ele sempre será controverso e sujeito a interpretação pessoal de cada um. Se isso é um mecanismo narrativo de qualidade, ou se existe algum tipo de mensagem subliminar sendo transmitida, isso é outra coisa.

    Mas achar que a novela irá fazer eu abortar ou não, é o mesmo que achar que uma música do Marilyn Manson me fará matar alguém ou que “Breaking Bad” me ensinará a manter um negócio lucrativo de fabricação e distribuição de metanfetamina.

  • Carol Stefanon disse:

    Essa cena foi horrível, eu fiquei chocadíssima quando a assisti. O personagem de Antônio Fagundes fazendo terrorismo psicológico (“você pode perder a sua vida” etc) pra pressionar a mulher a levar uma gravidez indesejada adiante! Foi uma cena nojenta, manipuladora e que apresenta o debate sobre a questão do aborto de uma maneira rasa e superficial. A cena foi simplesmente jogada na trama, visto que a personagem grávida sequer faz parte do elenco fixo da novela, ou seja, foi uma cena que apareceu aleatoriamente, construída com o único intuito de moralizar os que assistem a novela. Tô pasma. Não assisto nunca mais essa “Amor à Vida”!

    • Ana Cavalcante disse:

      Carol, voce nem deveria ter começado a assistir. Há coisas melhores para se ver que estas novelas da Globo. Se não tem TV a cabo, leia um livro, uma revista, converse com gente interessante, mude de canal (embora a TV aberta seja pobre em opções).

      • Gabriel Toueg disse:

        Eu discordo, Ana. Desligar a TV ou mudar de canal, como eu disse no post, não vai resolver o problema e tampouco “desligar” o debate. As novelas, por piores que sejam, levam uma mensagem à população. Devem ensinar. Devem, ao menos, gerar o debate. Se mudarmos de canal, a mensagem seguirá indo para outras pessoas… De toda forma, ler livros é sempre uma melhor opção!

  • Satine disse:

    Deixei no mute quando o César (Antonio Fagundes) começou com esse discurso sonolento e ridículo. Cada um tem direito a sua opinião e tenho amigos que são – independente da religião – contra o aborto. Eu, apesar de ser católica, sou a favor por motivos particulares.
    Mas ODEIO quando as novelas exibem esse discurso, às do Manoel Carlos também são adeptas disso. Ao invés dos autores escreverem cenas onde as personagens conversem como os médicos de verdade conversam com suas pacientes quando estas resolvem abortar, falando das vantagens e desvantagens, sugerindo que tomem essa decisão cientemente e coisa e tal não… fazem esse discurso tosco, preconceituoso como se ter filhos – sejamos honestos – só tivesse lado bom.

    Enfim, também não gostei nada daquela cena e a única coisa que pensei enquanto a personagem vomitava aquele texto era se era o médico que ia bancar todos os gastos dessa criança.

  • Larissa disse:

    Imagina se tivesse apoiado! Eu ouço sempre que a globo é incentivadora de viado e de macumba. Só apoia o que não presta. Ouço isso direto. Se aceitasse o aborto, vish.

    • Leslie disse:

      Oi, Larissa, não acho que seja questão de aceitar o aborto ou da Globo fazer promoção do aborto e sim de levantar um debate construtivo e não debater religião e opiniões pessoais. O aborto, hoje, é ilegal e, mesmo assim, muitas mulheres recorrem a ele, tornando-o, como citado na mesma cena, o terceiro fator de mortalidade materna. Portanto, não adianta ser contra ou a favor, mas de fazer algo a respeito. Na minha opinião, a melhor saída é descriminalizar o aborto e regulamentar as clínicas que seriam autorizadas a fazê-lo, inclusive do SUS, e os serviços que devem acompanhar. E, cada um que tome a sua decisão e arque com as consequências de acordo com seus valores, sua religião, sua ideologia, sua consciência.

  • Thaís Cruz disse:

    Um médico nunca se tornaria responsável por realizar um aborto. Se é ilegal, é ilegal. Se uma mulher quer deixar existir a possibilidade morrer ao fazer algo sem RESPONSABILIDADE, que tenha o filho e depois cometa suicídio, simplifica tudo e não põe em risco nem o cargo de alguém, que salva vidas, e faz uma troca: sua vida por uma versão melhorada de si: seu filho.

  • Marcos disse:

    Ótimo texto, Gabriel.
    E muito paciente da sua parte argumentar com quem apareceu por aqui discordando.

    • Gabriel Toueg disse:

      Obrigado, Marcos. Sou adepto do bom debate. Ninguém é obrigado a concordar com as minhas ideias, mas quem teve o trabalho de entrar, ler e deixar um comentário merece uma resposta! E olha que, pela polêmica ou pela Globo, os números do blog explodiram nesse post! Fico feliz de ajudar a conversa a acontecer!

  • Ana Cavalcante disse:

    Me pergunto até quando nossas autoridades, religiosos e (agora escritores de novela) vão ignorar o fato de que milhares de mulheres morrem por complicações originadas de abortos mal feitos. Talvez porque seja uma maioria de mulheres pobres e desvalidas já que as abonadas procuram clínicas clandestinas bem montadas. No Brasil do faz de conta isto não é levado em consideração e a discussão moralista se sobrepõe à dolorosa realidade.. O aborto é um ato extremo e certamente marca a vida da mulher, mas dever ser um direito e cada um deveria decidir sobre seu corpo e sua vida. Nos países onde esta prática é liberada, o índice de procedimentos não é maior que o brasileiro o quê significa que a liberação não incentiva a realização do aborto.

  • Renata disse:

    Chega a ser até engraçado… A maioria das pessoas que se posicionam contra o aborto, diz que é assassinato, que já há vida e blablabla, mas em casos específicos, como a lei determina, é a favor! Aí, eu pergunto, não seria assassinato da mesma forma? Muito contraditório esse discurso, não acham? Muitas dessas pessoas também acham que bandido bom é bandido morto, cagam e andam com a vida das outras pessoas, principalmente com as de varias crianças abandonadas a propria sorte por aí… Acham mais fácil cagar regra na vida alheia! O aborto é um direito e uma escolha individual, quem não quer fazer, seja por motivos religiosos ou qualquer outro, não faça, mas não queiram impor aos demais a sua forma de enxergar as coisas. A novela ocupa um espaço público, ela não é um canal privado, por isso, deveria se posicionar de forma mais prudente e responsável. Se o autor da novela é contra o aborto, ótimo para ele, ele tem o direito de pensar como quiser, o que ele não pode é usar uma concessão pública para tratar de um problema de saúde pública como este, baseado somente em sua opinião pessoal, é totalmente irresponsável!

  • elaine disse:

    Aborto é um assunto muito difícil, existem bons argumentos para defender a descriminalização, e existem bons argumentos para manter a sua criminalização. De toda forma, aborto continua sendo crime, em todas as sua modalidades: auto-aborto, provocado por outra pessoa de forma violenta ou não, provocado por médico com ou sem o consentimento da paciente.
    Não acho a rede Globo defensável, em muitos aspectos, mas neste caso eles fora polidos e cuidadosos sim: se o personagem de Antônio Fagundes dissesse: “ok, vamos fazer, esse é o seu direito” a emissora estaria cometendo o crime de incitação ao crime (Art. 286 – Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa.)
    Por mais “anticéptico” e bem conduzido procedimento de aborto continua a ser crime no Brasil. Qualquer médico que o fizesse incorreria no crime de aborto tipificado no Código Penal, vejamos:

    Art. 125 – Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

    Pena – reclusão, de três a dez anos.

    Art. 126 – Provocar aborto com o consentimento da gestante:

    Pena – reclusão, de um a quatro anos.

    Existem 4 dispositivos no Código Penal referentes ao aborto: do art. 124 ao 128 CP. o link do Código pelo planalto é este aqui e vc mesmo pode conferir:
    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm

    O código Penal não tratou o aborto como um valor absoluto, ele é permitido em dois casos: quando o aborto é necessário para manter a vida da mulher, ou quando a mulher ficou grávida devido a um estupro:

    Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico:

    Aborto necessário

    I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

    Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

    II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

    Em decisão do ano passado o STF teve a oportunidade de analisar caso próximo ao aborto: interrupção de gravidez de feto anencéfalo, você deve se lembrar. E o STF julgou que a interrupção gravidez neste caso não seria tratada como crime e vc pode conferir a notícia aqui: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/supremo-decide-por-8-2-que-aborto-de-feto-sem-cerebro-nao-e-crime.html

    • Gabriel Toueg disse:

      Obrigado pelos esclarecimentos, Elaine. Imagino que você seja operadora do direito. Estou correto? Gostaria de aproveitar e tirar uma dúvida, dentro daquilo que você mencionou: será que uma novela que abre o debate (um debate amplo, pluralista, equilibrado) sobre o aborto pode ser enquadrada em incitação ao crime? Debater o assunto (como estamos fazendo aqui) não é incitar ninguém ao crime. É? Se for, tem muita gente aqui que pode ir pra cadeia… Eu, pra começar, porque escrevi o post… Agradeceria seus esclarecimentos.

      • Laura disse:

        Debater um assunto, tampouco pedir que um crime deixe de sê-lo, não pode ser considerado apologia, tanto que a Marcha da maconha foi considerada legal pelo Judiciário. E Elaine está errada em afirmar que, se o Antônio Fagundes dissesse “ok, ‘bora fazer o aborto”, isso se enquadraria no tipo incitação ao crime, afinal não se estaria incitando ninguém à fazer nada, mas apenas retratando, numa obra ficcional, um médico que consentiria em realizar o procedimento do aborto, o que, aliás, já foi mostrado em outra novela da globo.
        Também fiquei revoltada ao ver esta cena, ao ver a superficialidade com que a Globo tratou o tema, mostrando a mulher que deseja abortar como uma irresponsável, e que só engravida sem querer quem deixa de se prevenir. O f*** é ver que eles passam por cima do fato de que nenhum método contraceptivo é 100% eficaz (a paciente chega a falar que “pow, rolou um clima e não tínhamos camisinha). Não era possível tê-la apresentado como uma pessoa que fez tudo direitinho, usando camisinha, pílula, etc., mas que mesmo assim engravidou? Mesmo que esta cena vá fazer parte de um debate maior a acontecer no futuro da novela, ainda a acho criticável exatamente por mostrar a mulher que aborta como uma ignorante irresponsável, o que nem sempre é verdade.
        Pessoalmente, não abortaria em caso de gravidez por acidente, mas fico revoltada com o fato de o Estado intervir desta forma com o que eu posso fazer com o meu corpo, em nome de um amontoado de células.

  • Thaís Cruz disse:

    Na verdade, crime como você falou não é criar filhos sem ter condições. É fazer sexo sem camisinha e depois do ato feito fugir das responsabilidades. Isso sim, deveria ser um crime. E de certa forma é. Primeiro: a vida com certeza – mesmo que seja no seu fim – vai mostrar a realidade para uma pessoa que age assim. E segundo, a parte da piada : falta de pensão é crime. E quanto mais demora, maior o rombo na conta bancária depois rsrs.

    Por que achar que toda mulher tem que tirar os filhos sempre “quando pintar o tal clima sem camisinha” e os malandros fogem? Se a decisão é da mulher não cabe a você nem a nenhum homem questionar seus direitos. A sua revolta na verdade parece ser por uma mulher aceitar ter… É um direito dela e ponto final. A menos que o pai assuma e ame o seu rebento, os outros estão fora do assunto.

    Se isso acontecer só ela e mais ninguém pode decidir por essa vida “indesejada”. O indesejado, aliás, normalmente, não dura muito tempo. Conheço inúmeras que tiveram seus filhos de surpresa, criaram sozinhas e hoje vivem muito bem ou até melhor. Quem foi que disse mesmo que uma vida sem filhos é vazia? Estava certo.

    Meu avô tem uma teoria que filho é o amor mais real que um ser humano pode sentir. E só quem tem e olha o filho dormindo e acordando pode saber.

    E se eu fosse religiosa até arriscaria argumentar que é uma oportunidade, um presente. E se foi nos dado é porque somos capazes. Tenho um amigo pobre que hoje sustenta até os netos e sempre diz brincando: onde come 1, comes 3. E muita gente já se virou e cresceu assim. Dinheiro só é problema pra quem não tem planejamento. Problema é quando não existe o amor. (que nem sempre nasce logo na concepção)

    E vamos falar de uma sociedade retrógrada? retrógrada para os homens inconsequentes e sem cabeça que fazem seus filhos e fogem e ainda se chateiam se a mulher não quer assumir e ser homem por eles?

    Não aceitar uma decisão da mulher mesmo que seja emocional é ser retrógrado. Hoje, tem quem faça filho sozinho e pague por isso, por que um homem deve se oprimir com a decisão de uma mulher forte? Por ser incapaz de abrir mão da sua vida, ou por ser incapaz de ver a felicidade do outro? Lógico! fazer pressão para a mulher se livrar da vida é o jeito mais fácil se livrar da culpa. Mas qual culpa?

    Dizer que o argumento religioso ou qualquer que seja é terrorismo psicológico? E o que dizer se uma pessoa que tenta convencer a outra a tirar o filho simplesmente por achar que não é uma vida?
    Que tipo de terrorismo?

    A verdade é essa. Aborto, ok. Em condições de estupro, doença, etc, o que for. Mas por inconsequência, jamais. Certo é o médico que conversa e convença uma mulher a não abortar. Ele sabe o que está fazendo. Sabe que aquela mulher em poucos meses vai se sentir feliz, vai amar e ser amada. E sabe também que na maioria das vezes, o desejo de abortar vem justamente da pressão de um parceiro malandro – que provavelmente vai engravidar várias e mesmo assim morrer sem filhos.

    Porque pai é quem cria. Quem faz é só progenitor.

    Lindo quem disse que a gente nunca sabe o grande homem/mulher que pode está gerando. E isso não é um assunto puramente religioso.

    E a grande ironia disso tudo é que Hitler veio de uma família feliz. Um casal que seguiu o script, mas mesmo assim criou um monstro.

    O que prova mais uma vez que uma gravidez não desejada pode e muito ter um final muito mais feliz do que muitas histórias estáveis.

    • Gabriel Toueg disse:

      Thais, fazer sexo sem camisinha não é crime. Pode ser irresponsabilidade, mas crime – até onde eu entendo – não é. Se for, você e eu somos criminosos, aposto.

      Optar pelo aborto não é fugir de responsabilidades. O aborto precisa ser uma opção porque a alternativa (o filho nascer) pode ser pior (e felizmente muitas grávidas têm consciência disso). Fique com algumas palavras para pensar a respeito: adoções ilegais, superpopulação, mortalidade infantil, crianças passando fome…

      E não deve acontecer quando “malandros fogem”, apenas. De onde você tirou essa ideia? A decisão cabe à mulher porque é dela o corpo e a consciência, mas o pai, a família etc devem participar. O martelo, contudo, quem bate é a mulher. Precisa ser. E ela precisa ter esse direito. E sim, cabe a mim (e a todos nós, homens e mulheres), lutar (e não questionar) por esses direitos.

      Sobre o restante da sua argumentação, confesso que não entendi (a parte da “vida com certeza” e a da “piada”). Pensão? Que pensão? Quem fala em pensão em uma situação em que uma criança não nasceu? Em que fala-se da retirada de um feto?

      “Certo é o médico que conversa e convença uma mulher a não abortar. Ele sabe o que está fazendo. Sabe que aquela mulher em poucos meses vai se sentir feliz, vai amar e ser amada” – sério que você acredita nisso? Como um médico pode saber o que vai por dentro da cabeça de uma mulher, minha cara?!

      Terrorismo?

      Sua argumentação é vazia. Desculpe. Você diz nada com coisa alguma. Ou eu não entendi nada.

  • rene disse:

    como alguem pode achar que o argumento que existe uma vida ai dentro seja um argumento imbecil,,,,,,os valores realmente estao trocados,,,ou sei lá o que está acontecendo com a mente do ser humano,,,,,,concordar com o aborto é o mesmo que concordar com o assassinato de alguém….penso que quem faz um aborto é pior que hitler.

    • Gabriel Toueg disse:

      Rene, quem usa um argumento tão vazio quanto “aborto é pior que Hitler” nem deveria merecer resposta, mas eu sou muito paciente. Hitler matou milhões de pessoas porque eram diferentes da raça “pura”, ariana. Eram pessoas com histórias, com famílias, com filhos, que iam à escola, tinham seu trabalho etc etc etc. Isso é assassinato – na verdade, é massacre, se é que você conhece esse termo. Se você usa argumentos religiosos, mostra que não tem argumentos. Mas se usa argumentos vazios, como esse, mostra que é não apenas ignorante como também não tem a menor noção do que está dizendo.

      • rene disse:

        Laurinha, creio que vc usa os mesmos argumentos dos que são favoráveis ao aborto usam,que nós mulheres temos o direito de decidir sobre nossos corpos,,,,então me diga , porque não se permite que uma pessoa tenha o direito de se matar,,,creio que é contra a lei,,,não é ,,,,como vc acha que hitler conseguiu convencer quase todo povo alemão que matar e matar seria certo……não me venha querer convencer que abortar é certo,,,,não caiamos no mesmo erro do povo alemão.

      • Gabriel Toueg disse:

        Rene, vamos deixar Hitler fora dessa conversa? Não tem o menor sentido misturar um ditador que matou seis milhões de judeus por serem diferentes dele (ou de um povo que ele julgou culpado pela crise da Alemanha) com uma questão de saúde pública e cujo debate é importante, o aborto. Se você insistir nesse argumento vazio, vou barrar seus comentários, para o bem do diálogo e do debate, que está bom até agora.

        Sobre suicídio, não existe lei que impeça essa opção. E nem deveria existir. Embora seja uma tragédia (mas nesse caso estamos falando de uma vida, e não de um punhado de células), cada indivíduo tem o direito de fazer o que quiser com a sua própria vida. Até tirá-la. Então, na mesma lógica, a mulher precisa ter o direito de tirar um feto – para o seu bem, para o bem da sociedade.

        Aliás, se o suicídio fosse “contra a lei”, como você diz, quem seria punido? O cadáver?! As religiões condenam o suicídio (o judaísmo, por exemplo, enterra suicidas em locais separados nos cemitérios). Mas a religião só é boa para quem a adota, e não para toda uma sociedade. Daí termos leis. Daí a lei já entender que é correto fazer um aborto em ocasiões especiais (anencefalia, risco para a mãe e gravidez fruto de estupro). É um pulo para o aborto desciminalizado.

      • rene disse:

        Só gostaria de fazer um comentário antes que vc me bloqueie,,,,,vi em uma reportagem na televisão alguns anos atrás, uma cientista de celulas humanas, se manifestando contra todo tipo de aborto, porque ela disse que quando uma mulher engravida, todas as células do corpo se voltam para o feto,,,,ela disse que quando o feto é tirado de uma forma anti natural,, acarreta transtornos tanto fisicos quando psicologicos na mulher,,,levando em conta tantos males que tal ato resulta , ela é contra mesmo sendo o feto sem cerebro, ou sendo por causa de estupro..talvez vc tentando olhar por esse lado , mude de opinião……pesquise sobre isso na internet.

      • Gabriel Toueg disse:

        Eu conheço essa teoria, Rene. Já “engravidei”. E é isso mesmo – o corpo da mulher se volta todo para a gestação, naturalmente. Por isso o aborto é permitido (nesses 3 casos, aqui no Brasil) até a 12ª semana – quando ainda é seguro. Depois desse período, a menos que algum médico decida que passa a ser seguro, eu sou contra, mesmo. Mas até os três meses a mulher tem bastante tempo e condição de decidir – e precisa ter essa opção.

        O aborto MAL FEITO (como é feito em tantas pessoas, porque é ilegal) acarreta, sem dúvidas, danos físicos e psicológicos na mulher. Em Israel, onde eu vivi durante sete anos, apesar de ser uma sociedade bastante tradicional e religiosa, o aborto é legalizado e só é feito após a mulher passar por uma comissão de médicos e psicólogos. Não é feito de forma arriscada por açougueiros e nem de forma ilegal por médicos, como aqui.

        Você pode me explicar uma coisa? Qual o sentido de uma mulher gerar uma criança anencéfala? Ou fruto de estupro? Será que uma mulher ser obrigada a levar adiante uma gravidez que começou com uma violência causa menos danos psicológicos? E ter uma gravidez que a coloque em risco? Se o princípio é salvar vidas, qual o sentido de colocar a mulher em risco ou de gerar um feto sem cérebro?

  • Luísa disse:

    Todos relacionam o aborto ao ato de matar, assassinar. Acho mais cruel a sociedade que permite fazer isso de maneira lenta e dolorosa. Não dar condições básicas de sobrevivência é matar aos poucos. Não dar educação é matar aos poucos. Fazer uma criança viver em um lar tumultado e hostil é matar aos poucos. Não ter a presença de uma família estruturada é matar aos poucos. Não dar atenção, não acompanhar o crescimento é matar aos poucos. As mesmas pessoas que criminalizam o aborto são as mesmas que fecham o vidro do carro quando veem uma criança pobre e dizem que ladrão tem que morrer. Uma vida é SIM uma coisa muito séria para se colocar no mundo por aí e sem preparo. Irresponsável é quem permite isso.

    • rene disse:

      SEGUINDO SEU RACIOCINIO ENTÃO ,,,VAMOS PEGAR TODAS ESSAS CRIANÇAS DE RUA,,,E MATAR TODAS ELAS,,,,,GRANDE SACADA HEIN,,,,,AFFF

      • Gabriel Toueg disse:

        Não, Rene. Vamos evitar que elas apareçam no mundo. Vamos evitar, antes de mais nada, que sejam geradas. Mas, tendo sido, vamos dar a oportunidade de escolha às mulheres de tirar esse feto e não jogar uma criança no mundo sem condições.

  • Adriana Mallet disse:

    Só colocando minha breve opinião de médica: nenhum profissional é obrigado a fazer nenhum procedimento que vá contra suas crenças. A não ser em risco de vida para o paciente, que dificilmente se aplica para um aborto. Basta indicar outro profissional para fazer. Agora sobre a questão da legalização do aborto, sou a favor, por entender que é um problema de saúde pública. No Brasil quem quer, faz. E essas mulheres com perfurações de útero e etc custam caro ao serviço do SUS. Mas isso deveria ser feito dentro de uma grande campanha de educação e redução de danos, não apenas uma legalização irresponsável, como quase tudo que se faz no Brasil.

    • rene disse:

      PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA DIRIA QUE É NOSSA EDUCAÇÃO,,,POIS SE TIVÉSSEMOS UMA EDUCAÇÃO EFICIENTE , NOSSAS CRIANÇAS TERIAM SIM,,,,SAÚDE FISICA E MENTAL , E FARIAM SEXO COM RESPONSABILIDADE …

      • Gabriel Toueg disse:

        Rene, gostaria de pedir que você mantivesse o tom educado na conversa (usar letras minúsculas é um bom começo). Aborto é questão de saúde pública, quer você goste, quer não, quer você considere isso um assassinato, quer não. Educação sozinha não resolve. É preciso usar métodos contraceptivos, proibidos pela maioria das religiões (que doutrinam as pessoas). É preciso consciência de que ter 14 filhos porque o aborto é “um crime” ou um “atentado contra a vida” é um erro.

      • rene disse:

        Desculpe quanto as letras maiúsculas,,,mas vejo que vc fica tentando encaixar o concavo com o concavo,,,sendo que o certo seria o concavo com o convexo,,,,vc talvez não fosse a favor do aborto se vc ainda não tivesse nascido. Temos que ensinar sim nossos adolescentes que fazer sexo não é brincadeira,,,,tudo tem causa e efeito,,,,temos também que parar de dizer que usar camisinha resolve tudo,,,,,quem vai usar camisinha depois que sair de uma balada , bebado e com ttesão….noventa por cento não vão usar , com certeza…ou então fazer sexo oral,,,como fazer sexo oral com camisinha,,,,,,ou vc não faz sexo oral,,,,,

      • Gabriel Toueg disse:

        Rene, quem decide as leis, quem debate o assunto, felizmente, são as pessoas já nascidas. Fetos não tomam decisões desse tipo e, não sendo uma vida, nem tendo consciência, não deveriam, mesmo. Fazer sexo não é nem deve ser brincadeira, embora quem decide sobre o que fazer com seus buracos é os donos dele – acho que não cabe à sociedade se meter nos buracos alheios. A educação é necessária, sempre. E camisinha resolve 99%, sim. Além de “resolver” gravidezes indesejadas, resolve DSTs. Se não ensinarmos os jovens a usar camisinha, mesmo com tesão e bêbados, certamente eles não vão usar. E sexo oral não engravida (eu faço, sim).

  • Liliane disse:

    Eu sou a favor de um aborto em caso de estrupo ou má formação do feto, fora isso eu acho que existem vários métodos para se proteger de uma gravides mal desejada, hoje o preservativo é indispensável até mesmo em um relacionamento estável como o casamento. O HIV ainda mata filho não!

  • Bebeto disse:

    http://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/7-um-passageiro-indesejado

    http://vencendoaguerra.blogspot.com.br/2010/03/manah-de-hoje-o-aborto.html
    Nesse segundo link, pode ler o segundo parágrafo..

    Qto ao tema aglomerado de células, a ciência classifica como vida, aquele conjunto de células que compõem um organismo próprio e possuem um DNA ou RNA
    Na filosofia, se você responde a estímulos, evolui, e tem movimento celular, vc e uma vida…
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Vida

    Sei q meus argumentos não estão muito claros, mas qq um com um pouco de inteligência, que não estava de má vontade, e q leia as 3 referencias q eu postei compreendera oq eu quis dizer…

    • Gabriel Toueg disse:

      Não vou discutir contra argumentos religiosos. O site que você mencionou tem passagens bíblicas que, para mim, não servem de base para o que quer que seja para justificar o nascimento de uma criança indesejada. Sou pragmático e, como tal, entendo que a mulher precisa ter o direito de decidir sobre o seu próprio corpo. Ponto. Não estou fazendo apologia do aborto, mas do direito de a mulher OPTAR pelo aborto seguro, médico e gratuito.

      • Bebeto disse:

        Sim, um site que eu sites possui passagens bíblicas, mas so sites esse site pq foi o único q achei com esse texto, ja havia lido isso a uns 2 anos, e não achei agora, a mesma fonte da época… Ate pq não sou evangélico (apesar de não ter nada contra) mas sou radicalmente contra fundamentalismo religioso (caso de grande parte das religiões evangélicas hj no brasil, sobretudo as neopentecostais). Mas isso não me impede de concordar com algo que a religião prega, assim como o fato de eu ser uma pessoa religiosa não me faz ser contra um país completamente laico, em que nem mesmo feriados religiosos deveriam existir, afinal se eu fosse um dentista hinduísta, não gostaria de não poder atender meus clientes dia 24/dezembro pq outras pessoas estão celebrando uma data sobre uma pessoa q mal conheço e que viveu a mais de 2000 anos atras…

        Quando discutimos qualquer assunto, devemos levar em conta questões relacionadas as ciencias biológicas, exatas e humanas e sociais, entre elas filosofia, historia, ética, antropologia e sociologia, além de temas na área psicológica, temas esses que estao presente na religião, e consequentemente vão usar mesmos argumentos, mas não quer dizer quando vc diz q um ovulo fecundado e uma vida, não e um argumento religioso, e sim filosófico, muitas vezes confundido com um tema religioso pelo fato de a religião buscar explicações em um nível mais terreno e material para firmar sua posição nesse tema….

        Um argumento puramente religioso, seria dizer que deus diz que a fecundação e o começo da vida, ou que aquele feto ja tem uma alma ou espirito presente, ou a espera do nascimento, com um plano próprio ou de deus, que não pode ser interrompido pela vontade do homem, argumentos que pra quem tem fé, ja bastariam, mas que para céticos são extremamente vazios e infundados, entao muitas vezes a religião se apóia na questão filosófica e as vezes ate cientifica pra firmar e legitimar sua posição perante temas polêmicos e que são contestados…

        Entretanto, algumas pessoas confundem quando alguém se posiciona expressando questões ideológicas baseadas na filosofia, acreditando ser uma posição religiosa…

  • Bebeto disse:

    Corrigindo, sou A FAVOR DE UM PAIS COMPLETAMENTE LAICO

    E quanto a posição da Globo em relação ao assunto, eu penso que os meios de comunicação devem sim expressar sua opinião, ate pra vc saber se concorda com ela ou não…
    E muito mais fácil vc manipular a opinião de alguém ficando em cima do muro do quando vc expressa claramente sua opinião… Somente quem se posiciona te da oportunidades de discordar e debater

    A rede Globo de televisão peca em muitos aspectos, social e politicamente falando, mas não penso que seja atoa o fato d ela ser líder de audiência desde antes de eu nascer… E eu credito boa parte dessa responsabilidade ao fato de ela ser o melhor canal d tv aberta do brasil…
    Qto as criticas feitas as novelas, na minha opinião, e uma arte, como a literatura, a música e o teatro, e como essas artes, existem obras d qualidade excepcional e obras de qualidade duvidosa, e mesmo assim, boa ou ruim, vai ter gente que vai gostar e gente que não vai gostar, com a diferença que e uma arte mais comercial, que depende mais de volume de aceitação, e as vezes paga o preço por conta disso…

  • Bebeto disse:

    Mais uma consideração, no que diz respeito a quando e uma vida ou não…
    Na minha opinião a única diferença de uma crianca um dia antes e um dia após o nascimento e o cordão umbilical, logo uma crianca instantes antes do nascimento não seria “abortável”… Um momento em que os especialistas consideram que há um sistema nervoso maduro e bem semelhante a um humano adulto, e por volta da 10ª semana, oq determina o principio da resposta a um estimulo externo e do desenvolvimento da consciência, logo apartir daí seria complicado falar em aborto, ja que estaríamos falando de um ser quase que idêntico a um recem nascido, ate pq tem-se relatos de sobrevivência de crianças nascidas 4 meses…

    Pensando dessa forma, deixando de lado toda a questão religiosa (um dos motivos deu ser contra o aborto) pensa-se em que o aborto seria viavel ate a 10ªsemana de gestacao, mas ai começamos a pensar na evolução e maturação do ovo-zigoto…
    O ser humano esta em constante formação, ate perto dos 20 anos de idade, entao pensando em um aspecto de continuidade maturativa, apartir da fecundação, comeca-se a evolução que dará a origem a crianca….
    Se anteriormente pensamos que uma crianca uma semana antes do nascimento e uma semana depois e a mesma coisa, entao um feto alguns dias antes da maturação do sistema nervoso, e alguns dias depois são bem parecidos… Tão parecidos que se assemelham mais entre si que um feto ate mesmo mais maduro e um homem adulto… Da mesma forma que um feto se assemelha mais a uma crianca recem nascida que uma crianca recem nascida a um adulto….

    Logo um recem nascido esta mais para um feto que para um adulto, entao, se pode abortar, pode matar recem nascido…. Qdo agente pensa que a evolução desde a fecundação e ininterrupta, 24hrs por dia, tds os dias, assim como um homem adulto envelhece dessa forma, torna-se mto delicado determinar o ponto em que estamos num estagio de ser vivo, ou ainda somos um rascunho disso… Ainda mais quando agente lembra que o ser humano e um dos animais em que sua prole nasce menos desenvolvida (sem andar, com grande diferença de tamanho e aparência em relação aos adultos, sem se comunicar, sem consciência do começo e fim de seus limites corporais, totalmente dependente e com sistema nervoso em um estagio de desenvolvimento bem a quem do real potencial da espécie), aproximando-se mais ainda dessa criatura antes do nascimento, em relação ao adulto….

    Entao, quando se pensa em qual seria o momento em que se poderia se fazer um aborto, primeiramente teria que se descartar o fato de ser um ser em constante evolução e maturação, oq ja seria uma postura inadequada. Em segundo lugar, seria uma risco e uma irresponsabilidade enorme determinar o momento em que seria passível um aborto, em terceiro lugar, e inviável que se avalie precisamente se aquele aborto pode ser feito ou não, ainda mais se pensarmos em um caso de saúde publica de larga escala, quando se estivessem chegando milhões de gravidas nos hospitais públicos com interesse de fazer um aborto….

  • Marilia Menezes Vieira disse:

    Gabriel Toueg, o tema aborto sempre gerou e vai gerar polêmica, pois as pessoas são diferentes, têm valores diferentes e consequentemente, opiniões diversas.
    Assim como o aborto, é a questão da religião. Costumo dizer: Tenho a minha religião e respeito a sua que se aplica também a, Tenho a minha opinião e respeito a sua.
    A religião trata da Espiritualidade e tem como consequência uma modificação na moral. E da moral, quem trata são as leis.
    O aborto não é uma questão religiosa, mas uma questão moral.
    A medicina, que é ciência, entende que a vida começa no momento da concepção, sem falar que ninguém descobre que está grávida nesse momento, mas geralmente dois meses depois.
    Concordo com a opinião de que abortar é fugir da responsabilidade, porque todos os nossos atos têm consequências, boas ou más.
    Não há quem não saiba que transando pode engravidar, que quem bebe e dirige, pode matar e/ou se matar; que quem se mete numa briga pode se ferir ou morrer, enfim….
    É certo, numa discussão o clima esquentar, alguém pegar uma arma atirar e matar!?
    Mas é certo, se o clima esquenta entre um casal que no momento não tem camisinha, transar e, se engravidar, matar!!!!!!
    Estive em muitas situações em que o clima esquentou, mas como não tinha a camisinha, não deixei que chegasse ao final, e não morri, não fiquei traumatizada e nem infeliz, muito menos o meu parceiro. Isso se chama responsabilidade, comprometimento com a vida e com os meus valores morais e não religiosos.
    O assunto aborto precisa ser debatido até a exaustão para que as pessoas possam formar sua opinião, diante de informações corretas, científicas, morais e legais sem, jamais, julgar quem o pratica.

    • rene disse:

      marilia, concordo com vc em quase tudo, porém em apenas um ponto eu não concordo,,,,no ponto que o aborto tem que ser discutido,,,eu particulamente acho que o aborto nunca deveria ser discutido, mas sim exclarecido, pois o aborto nada mais é do que o pior crime que um ser humano pode praticar, pois e feito a um ser que não tem pra onde correr, além do mais , feito a um filho…..sem contar que o aborto faz um mal terrivel a mulher que pratica, pois , trará traumas tantos fisicos quanto psicológicos….religião pode sim ser discutida,, politica tambem , quanto o futebol,,,,mas o que nunca deveria ser discutido seria o aborto…

  • MI disse:

    porque antes de “DAR” ela não pensou em uma escolha de se prevenir!!!!!!!!!!!agora ela tem direitos sobre o corpo dela e de tomar a decisão de matar ou não um bebe……..ridículo…pensasse nisso antes de gerar um bebe!!!!!!!!mais ridículo ainda é vc,que apoia pensamentos como esse!!!!IDIOTA!

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