Com Capote, lembrei-me do meu avô

13/06/2013 § Deixe um comentário

Hoje, lendo Capote (“Os cães ladram: pessoas públicas e lugares privados”; New Orleans, 1946), lembrei-me do meu avô, de quem tenho tão poucas lembranças, porque ele morreu quando eu tinha bem menos de 10 anos. Lembro-me, por exemplo, de ver o mundo do alto de seus ombros largos e muito altos, bem mais altos do que o menino que eu era naqueles tempos. E dos seus olhos, de um azul que eu não saberia jamais descrever, mas que Capote me trouxe de volta:

(…) os severos olhos azuis angelicais de vidro, claros como os olhos azuis desbotados dos marinheiros, olhavam para cima.

Meu avô, Armand, ele, que faria 100 anos este ano, em março – e para quem vou dedicar o livro que estou escrevendo (pesquisando, agora) sobre a história dele e de tantos outros que deixaram para trás um país, um idioma, uma vida, para aportar no Brasil nos anos 1950.

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Ah, seu pai é o Bibi?

20/05/2013 § 1 comentário

Ontem meu primo mais novo no lado do meu pai se casou. Foi uma linda e emocionante cerimônia. Depois, na fila concorrida do japonês, descubro um parente, numa conversa em inglês (traduzo):

– E o senhor, de onde é?
– Eu sou do Cairo, Egito.
– Ah, meu pai também é.
– É mesmo?
– Pois é, ele veio pequeno, com 8 anos.
– Qual é seu sobrenome?
– Toueg.
– Ah, seu pai é o Bibi?
– Sim! [O apelido do meu pai na família é Bibi]
– Lembro do meu tio Rafael gritando, quando éramos pequenos: ‘Bibi, Bibi’!
– Então vocês são primos!
– Sim! E somos primos, você e eu!
Mabruk! [“Parabéns”, em árabe]
Mabruk!

Da conversa com o embaixador palestino

17/09/2011 § 2 Comentários

Conversei hoje, como contei, com o embaixador palestino em Brasília, Ibrahim Alzeben. Nossa conversa terminou com uma aula, dele, sobre o meu nome. Gabriel, que em árabe é Jibril, o arcanjo, e cuja terminação “el” em hebraico remete a Deus, aparentemente tem outro significado:

Você sabe que o seu nome é bíblico? A metade do seu nome é palestina. A última parte, “el”, é o deus monoteísta dos cananeus, anterior ao judaísmo, anterior ao cristianismo, anterior ao Islã. No mundo antigo havia três bases. Na Mesopotâmia era chamado ‘Ra’, no Egito era ‘Mon’ e na Palestina era ‘El’, dos cananeus. Os outros dois sumiram, ficou ‘El’ apenas.

Eu acho que ele fez uma confusão. Na verdade, Ra é o Deus sol, do Egito. E acho que os mesopotâmicos eram politeístas, mas ok. Depois, falou do sobrenome. Eu já ouvi que Toueg significa “coroado” em árabe arcaico, mas ele disse que é diminutivo – mas confirmou que é árabe: “‘Taug’ é uma espécie de colarzinho”.

Onde estou?

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