Escrever, um pacto

26/09/2010 § Deixe um comentário

Escrever, um pacto

Andei relendo agora alguns-muitos dos posts do blog, especialmente os antigos. Gosto de reler, de curtir a nostalgia, de relembrar momentos e de sentir como eu me senti quando desabei sobre o teclado e desabafei alguma coisa. É disso que se trata esse blog, afinal.

Bom poder voltar e reler, revivendo, assim.

Adoro.

Um dia, eu acho que devia ter uns 14 anos, decidi que iria escrever. Eu não sabia ainda, mas eu tinha decidido ali que escreveria para o resto da vida, para comunicar, para emocionar, para desabafar, para conversar, para dizer quem eu sou. Fiz um pacto informal e discreto, mas ao qual me mantenho fiel, e escolhi então meus melhores amigos, que são até hoje a caneta e o papel.

Nunca pude dizer algo que sinto tão bem quanto posso escrever. A inspiração vem, assim. Brota. Anoto cartões de aniversário ou de casamento na hora. Se pensar muito, não sai legal. Saco a caneta, pouso a ponta no papel, sinto e transformo em palavras. Simples assim.

Como um Xavier em Albergue Espanhol, olho hoje para uma fotografia preto-e-branco que trouxe comigo, de quando eu era criança, e escuto a voz infantil ressoando na minha imaginação apaixonada:

Quero ser escritor.

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Espelho

14/09/2010 § 2 Comentários

Não é meu. Mas poderia ser. Palavra por palavra.

perdida. eu não sei lidar com isso. essa coisa de alguém gostar de mim. eu percebo algum sentimento mais forte e só penso em fugir. eu gosto de gostar dos outros. mas não gosto que gostem de mim. acho que não é que não gosto. é que eu tenho medo. medo de não me encaixar em todas as idealizações que vêm junto ao gostar. medo de não ser nem um pouquinho daquilo que o outro espera. medo da expectativa que o outro tem de mim. eu não sei lidar com isso. eu não sou capaz de aceitar um “eu gosto de você”. imagina então um “eu te amo”. toda vez, eu fujo.

Uma lágrima

30/08/2010 § 1 comentário

Nasceu! Welcome to life, my baby boy!

E uma lágrima percorreu meu rosto, de emoção e felicidade. Mãe e filho, todo o amor do mundo para vocês ainda é pouco para o que vocês merecem e para o que espera por vocês!

Poesia numa hora dessas.

Lior

28/07/2006 § 1 comentário

 

Estive hoje em um abrigo anti-bombas. Não rolou sirene, não caiu nenhum míssil lançado pelo Hizballah ou pelo Hamas, não teve correria nem nada. O abrigo onde eu estive, em um bairro residencial super tranqüilo de Jerusalém, foi transformado em sinagoga. Uma porta espessa de ferro dá acesso ao templo judaico que abrigou nesta manhã ensolarada de sexta-feira a cerimônia de brit milá (circuncisão) do Lior, o filho da minha amiga Cinthia. O nome ele ganhou hoje, enquanto chorava como o bebê da foto. Lior, hebraico para “luz para mim”, significativo para uma mãe como ela dar para o rebento. A cerimônia foi emocionante, embora bastante simples. Lá, dentro do abrigo anti-bombas, uns amigos, uns parentes, a mãe bastante emocionada e o bebê, cujo choro, como manda o judaísmo, foi calado por gotas de vinho em um pedaço de algodão.

Foi selada a aliança.

[TRADIÇÃO] Contei para uns amigos e eles não acreditaram! O mohel que fez o meu brit milá, em 1979, foi o mesmo que fez o do meu pai, em 1949 e o do meu avô, em 1913! Minha mãe sempre conta que o velhinho – que de acordo com as minhas contas deveria ter uns 90 anos quando me circuncidou – tremia. Ela também, de medo!

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