Lagarteando em Jerusalém

13/02/2013 § 1 comentário

Relendo um livro para uma matéria que estou escrevendo, deparo-me com o seguinte trecho: “Solidamente plantada num platô, em meio das montanhas da Judeia, flanqueada por vales, ‘Jerusalém, a dourada’ lagarteia ao sol deste domingo de Páscoa”. É o gaúcho Erico Verissimo, em seu “Israel em abril”, livro escrito em 1969 em que relata uma viagem realizada ao país três anos antes, portanto quando a cidade dourada estava ainda dividida e cuja parte oriental estava em poder dos jordanianos. Ainda não havia acontecido a Guerra dos Seis Dias, e Jerusalém podia lagartear à vontade sob o sol que lhe dourava as muralhas.

A leitura é indispensável para quem quer se divertir, conhecer a Terra Santa dos anos 1960 pelos olhos de um brasileiro e, acima de tudo, se deliciar com o estilo único do Verissimo: “Penso: brinco de viajar, e viajando às vezes me digo que sou dois: um que viaja e outro que se vê viajar. No meu caso, há um terceiro, o que vai escrever sobre o que viajou e o que se viu a viajar. Depois virá um quarto eu: o que ler o que o terceiro escreveu sobre o que viajava e o que se via viajar”.

Logo no início do capítulo “Tudo vale a pena”, ele relata alguns encontros na chegada a Israel “num avião da Alitalia”:

Alguém me estreita contra o peito e ficamos a nos dar reciprocamente fortes palmadas nas costas, numa espécie de dança de ursos, antes mesmo de eu saber ao certo quem me abraça. Finalmente descubro: “Nahum Sirotsky, homem de Deus, que é que você anda fazendo por aqui?” Encontrei pela última vez este simpático judeu errante gaúcho em Washington, há uns quatro anos, e depois perdi-o de vista por completo. Conta-me que é adido de imprensa junto à nossa embaixada em Tel Aviv. Apresenta-nos Beila, sua mulher, uma loura de face dramática.

Nahum, como muitos dos que me leem e acompanham sabem, é meu guru, meu avô postiço, meu mentor  e primeiro (e crítico) leitor em muitas das matérias que escrevi a partir de Israel, onde ele se instalou finalmente na década de 1990 e de onde seguiu trabalhando ao longo de muitos anos, como jornalista e correspondente. Tem hoje 87 anos. Foi um dos anfitriões do Verissimo na viagem que daria no livro. A “loura de face dramática”, Beila Genauer, mulher de Nahum, era atriz,  e formou o Teatro dos Doze, ao lado de Sérgio Cardoso, Sérgio Britto e outros.

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Nahum Sirotsky, ‘wikipado’

11/10/2010 § Deixe um comentário

Muita gente já sabe, especialmente porque ele sempre conta, que eu sou o autor de um trabalho “de 300 páginas” sobre Nahum Sirotsky, meu mestre no jornalismo, meu “avô” postiço, meu amigo.

Histórias de Nahum Sirotsky, a atuação de um dos protagonistas do jornalismo brasileiro nos últimos 60 anos (Gabriel Toueg, 2004)

Enquanto procuramos uma editora interessada em transformar em livro a história dele, com quase 70 anos de jornalismo, e ainda ativo, resolvi colocar parte do meu “trabalho de 300 páginas” na Wikipedia em português, criando um artigo até então inexistente.

Nahum Sirotsky na Wikipedia (clique para aumentar)

Como os artigos por lá são colaborativos, se você tem alguma informação sobre o Nahum que não aparece por lá, fique à vontade para adicionar (ou me enviar e eu farei isso, com prazer). Ainda falta muita coisa, e o artigo está crescendo um pouco cada dia.

(UPDATE) Agora, também, a obra-prima do Nahum, a revista Senhor, lançada em 1958, tem página na Wikipedia. Ainda está começando a engatinhar, mas vale a leitura!

Onde estou?

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