Beijar perfeitamente

14/02/2013 § 1 comentário

Não podia deixar passar, embora eu ache que a relação não seja necessariamente verdadeira (acho mesmo que a dança faz melhores amantes, isso sim!) Enfim, em dia do Santo Valentino, comemorado em quase todo o mundo (até em Israel, apesar de existir um dia do amor por lá), vai a imagem, vista no Facebook.

Feliz dia do santo, então!

Besar perfectamente

Se você sabe escrever bem, sabe beijar perfeitamente

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As espinhas, o sexo e o creme noturno

05/01/2013 § 1 comentário

– Você está sentindo o cheiro do creme que eu passei no rosto?

Meio bêbado, não tinha reparado no tal cheiro do tal creme, que devia ser um adicional à atmosfera romântico-sexual. Fiz um esforço: snif, snif. Não era muito bom, mas nessas horas é melhor não contrariar: “Hummm”. (O “hummm” é ambíguo, pode ser um “ah, que gostoso” ou um “alguém morreu aqui?”)

Mas o cheiro não estava bom e ela notou que eu não havia caído de paixão por ele: “É para as minhas espinhas”.

“Oi?”, pensei eu, nu, esparramado sobre a cama, com o teto girando sobre a minha cabeça – efeito da água tônica que tomei depois de três ou quatro cervejas, sou péssimo de contar.

Não me lembro de mais nada depois disso.

(Estas linhas são fruto da minha imaginação doentia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)

A garota e o KY

16/12/2012 § 1 comentário

A garota, seus 20 e poucos anos, até tentou a discrição quando entrou na farmácia do shopping lotado, caminhou entre as gôndolas com produtos de beleza e dietas milagrosas e foi até o balcão. Em silêncio quase sepulcral, disse ao cara do avental que queria um KY. Eu só ouvi porque estava realmente muito perto, mas a azia que eu estava sentindo era tão forte que teria dado no mesmo se ela tivesse subido no balcão e gritado para todo mundo ouvir.

Fingi que não sabia o que estava acontecendo, como um bom e discreto observador. Ela queria discrição, eu notei, então só faltei mesmo assoviar e olhar para o teto. Foi fácil, a azia colaborou bastante.

Volta então o cara do avental, com um tubo que me deixou envergonhado, de tão grande. E, como se fosse garoto-propaganda do KY em canal de compras por telefone, segurou o tubo de forma a que todos os presentes pudessem ver e disse para a moça: “Só temos deste tamanho, grande“. Destaque para “grande”. Cheguei a pensar que ele ia disparar um “mas não ligue ainda” e oferecer alguma promoção para acompanhar.

Não foi difícil notar o desconforto dela, que passou a limpar, com a mão, o suor na testa, apesar do frio condicionado. Acho que ela nem pensou na resposta que deu para o cara do avental, que tinha um sorriso irritante no rosto: “Pode ser”.

Ela queria mesmo era esconder aquela aberração lubrificante, pagar e desaparecer.

E foi o que fez.

Antes, pegou na prateleira de autosserviço (viva o autosserviço!) alguumas camisinhas. Daí, correu para o caixa. Veio a maldita pergunta:

“CPF na nota?”.

Erotismo

24/10/2010 § Deixe um comentário

Se você, como eu, gosta de erotismo, entra aqui para ver um site que eu descobri e que tem imagens bem sensuais e bacanas, I Feel Myself.

Veneno

18/10/2010 § Deixe um comentário

Hoje, de novo, fui envenenado pelo seu amor. Você veio, nem hesitou: deixou o veneno escapar e me envolver. E eu, entregue, dele bebi, dele respirei, minha pele o absorveu. Depois, você foi embora. E eu fiquei, sonado e largado, despido e dopado pelo seu veneno.

Purchasing her favors

17/10/2010 § 1 comentário

I was not quite prepared for the reality of my dual role. On the one hand, the willing corrupter of an innocent, and on the other, Humbert the happy housewife.

As she grew cooler towards my advances, l became accustomed to purchasing her favors. Where she hid the money, I never knew. I was convinced she was storing it away in order to finance her escape from me.

(De cenas do filme Lolita)

Sexo e… um ovo?

07/05/2006 § 5 Comentários

Estou relendo, depois de ter visto o filme, o livro O carteiro e o poeta. Em primeiro lugar, sim, vale a pena. Muito. Tanto o livro como o filme.

Mas o que quero dizer é que existe um trecho, que descreve uma cena de amor entre Beatriz González e Mario Jimenez, que deve entrar para a história como uma das mais bonitas narrativas de sexo. Com um ovo como coadjuvante!

Faço questão de republicar aqui. O autor de Ardiente paciencia, o título original em espanhol, é Antonio Skármeta. A tradução para o português é de Beatriz Sidou.

Soltando a jarra de vinho e o avental, a menina recolheu um ovo do balcão e foi andando descalça debaixo das luzes dessa noite estrelada até o encontro.

Ao abrir a porta do galpão, soube distinguir por entre as confusas redes o carteiro sentado sobre um banquinho de sapateiro, o rosto colorido pela luz laranja de uma lamparina de querosene. Por sua vez, Mario pôde identificar, convocando a mesma emoção de antes, a precisa minissaia e a apertada blusa daquele primeiro encontro junto à mesa de totó. Como se combinando com a recordação, a garota alçou o oval e frágil ovo e, depois de fechar a porta com um pé, colocou-o perto de seus lábios.

Abaixando-o um pouco até seus seios, fê-lo deslizar seguindo o palpitante vulto com os dedos dançarinos, resvalou sobre seu estômago liso, trouxe-o até o ventre, escorreu sobre seu sexo em meio ao triângulo de suas pernas, esquentando-o instantaneamente, e, então, cravou um olhar quente nos olhos de Mario. Este fez uma tentativa para levantar-se, mas a garota o conteve com um gesto. Colocou o ovo sobre a testa, passou-o sobre a superfície acobreada, montou-o sobre o tabique do nariz e, ao chegar nos lábios, enfiou-o na boca, firmando entre os dentes.

Mario, nesse mesmo instante, soube que a ereção sustentada com tanta fidelidade durante meses era uma pequena colina em comparação com a cordilheira que emergia de seu púbis, com o vulcão de uma nada metafórica lava que começava a desenfrear seu sangue, a turvar seu olhar, a transformar até sua saliva em uma espécie de esperma. Beatriz indicou-lhe que se ajoelhasse. Embora o piso fosse de madeira tosca, pareceu-lhe um tapete principesco quando a garota quase levitou até ele e se pôs ao seu lado.

Um gesto de suas mãos ilustrou que ele teria de pôr as suas em forma de cestinha. Se alguma vez obedecer lhe havia parecido intragável, agora só desejava a escravidão. A garota se curvou para trás e o ovo, ínfimo equilibrista, percorreu cada centímetro do pano de sua blusa e da saia até se deixar apanhar pelas mãos de Mario. Levantou os olhos para Beatriz e viu sua língua transformada em labareda entre os dentes, os olhos pertubadoramente decididos, as sobrancelhas na espreita, esperando a iniciativa do rapaz. Mario delicadamente levantou o ovo, como se estivesse a ponto de incubar.

Colocou-o sobre o ventre da garota e, com um sorriso de prestigiador, o fez patinar em suas ancas, marcou com ele preguiçosamente a linha das nádegas, enquanto Beatriz, com a boca entreaberta, continuava com o ventre e as cadeiras em pulsações. Quando o ovo completou sua órbita, o jovem o retornou ao arco do ventre, fez a curva nas aberturas dos seios e, levantando-se com ele, infiltou-o pelo pescoço. Beatriz abaixou o queixo e o reteve ali com um sorriso que era mais uma ordem que uma gentileza. E, então, Mario adiantou a boca até o ovo, prendeu-o entre os dentes e, distanciando-se, esperou que ela viesse resgatá-lo de seus lábios com sua própria boca.

Ao sentir a carne dela roçar por cima da casca, sua boca deixou que a delícia transbordasse por ele. O primeiro pedaço de pele que ungia era aquele que em seu sonho ela cedia como último bastião de um assédio que era contemplado agora com o lamber a cada um de seus poros, o mais tênue cabelinho de seus braços, a sedosa queda de suas pálpebras, o vertiginoso declive de seu pescoço. Era o tempo da colheita, o amor havia amadurecido espesso e duro em seu esqueleto, as palavras voltavam a suas raízes. Neste momento, pensou ele, este, este momento, este este este este este momento, este este, este momento este. Cerrou os olhos quando ela tirava o ovo com sua boca. Às escuras, cobriu-a pelas costas enquanto em sua mente uma explosão de peixes cintilantes brotava num oceano calmo.

Uma imensa luz o banhava e ele teve a verteza de compreender, com sua saliva sobre esta nuca, o que era o infinito. Chegou até o outro flanco de sua amada e mais uma vez prendeu o ovo entre os dentes. E agora, como se ambos estivessem bailando ao compasso de uma música secreta, ela entreabriu o decote de sua blusa e Mario fez o ovo resvalar entre suas tetas. Beatriz desprendeu o cinto, lavantou a asfixiante prenda e o ovo foi arrebentar no chão, enquanto a menina tirou a blusa por cima da cabeça e expôs o dorso dourado pela lâmpada de querosene. Mario abaixou sua apertada minissaia e quando a fragrante vegetação de sua boceta acariciou seu nariz indagador, não teve outra inspiração senão untá-la com a ponta de sua língua. Neste exato momento Beatriz emitiu um nutrido grito de alento, de soluço, de dissipação, de garganta, de música, de febre, que se prolongou por alguns segundos em que seu corpo inteiro tremeu até se desvanecer. Deixou-se resvalar até a madeira do chão, e depois de colocar um dedo de sigilo sobre o lábio que a havia lambido, trouxe-o úmido até o tecido rústico da calça do garoto e, apalpando a grossura de seu pau, disse com voz rouca:

– Você acabou comigo, seu bobo.

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